30 de Setembro, 2022

“Circular é viver” e, por isso, as doentes e sobreviventes desta patologia têm a ajuda da Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama (APAMCM), presidida pela Dr.ª Mónica Albuquerque, e representada, em entrevista, pela Dr.ª Cristina Alves, fisioterapeuta e 1.ª secretária da Mesa da Assembleia Geral da associação.

A APAMCM, considerada uma Instituição Particular de Solidariedade Social com fins de saúde, já possui um largo portfólio capaz de “colmatar necessidades das doentes e sobreviventes de cancro da mama”. Com 24 anos de existência, a associação foi pioneira nas linhas telefónicas de apoio ao doente e familiares e numa clínica capaz de albergar equipas especializadas em Obstetrícia, Ginecologia, Fisiatria, Psiquiatria, Senologia e Fisioterapia.

Atualmente, apenas a Fisioterapia continua a ser recorrente na associação, desde 2006, considerado o Centro Especializado em Fisioterapia Oncológica, com o objetivo de prestar cuidados de saúde na reabilitação oncológica. Para isso, as sobreviventes podem e devem juntar-se às classes de Fisioterapia para “restaurar o movimento, potenciar a qualidade de vida e uma rotina ativa”, melhorando a capacidade de reintegração no mercado de trabalho e, brevemente, às sessões de Psicologia. Apesar de a associação ser sediada em Lisboa, muitos doentes e sobreviventes “procuram a associação para terem este acompanhamento especializado na área da Fisioterapia”.

A Fisioterapia, ação principal fornecida pela associação, é fundamental no “pré, durante e pós-tratamento de cancro da mama”, já que é uma forma de “ultrapassar as limitações” originadas pelo próprio tumor e pelo tratamento. A especialista confessa que este serviço é escasso e com uma lista de espera “extensa” nos centros hospitalares, pelo que a APAMCM “colmata esta falha no Serviço Nacional de Saúde”. Estas sessões cruzam mulheres com diferentes experiências e partilhas que, entre elas, podem ajudar “a ultrapassar problemas semelhantes, gerando-se um grupo de autoajuda”. A Dr.ª Cristina Alves acrescenta: “É muito boa essa partilha entre as próprias doentes.”

O tratamento fisioterapêutico “exige tempo”, pelo que as doentes se sentem “mais integradas e protegidas”, sabendo que existem pessoas a apoiá-las durante todo o processo. Desde o diagnóstico até à remissão e sobrevivência, é um “longo processo de luto”, com perdas de saúde e de mobilidade que trazem desafios a nível psicológico e físico à doente. “Tentamos ajudar também a esse nível.”

Com um aumento do número de casos e de fatalidades desde o início do século, o cancro da mama tem provocado 1700 mortes e mais de 7000 novos casos por ano. No entanto, apesar de bastante mais escasso, o cancro da mama ataca também o sexo masculino, pelo que a associação também recebe e convida a realizar Fisioterapia e a visitar as instalações sempre que necessário.

Para diminuir esta taxa de incidência, existem fatores, como a idade, que não podem ser influenciados, no entanto, hábitos tabágicos, alcoólicos, sedentarismo e excesso de peso ou obesidade são controlados, podendo haver uma mudança de hábitos. Esta rotina de vida saudável deve ser encarada pelas sobreviventes como um recomeço. “Já existem alguns estudos clínicos que mostram que o fator de risco diminui 24 %, com uma alimentação saudável e prática de exercício, o risco de recidiva. O objetivo é e sempre será “promover a saúde da doente”.

Veja o seguinte vídeo da Dr.ª Cristina Alves para conhecer para principais dicas para as sobreviventes de cancro da mama.

Por fim, a representante da Associação de Apoio à Mulher com Cancro da Mama apela à participação na Corrida “Sempre Mulher”, no dia 13 de novembro, no Parque das Nações. “Este é um momento de confraternização e de celebração da vida da sobrevivente de cancro da mama”, relembra a especialista. Pode inscrever-se na Corrida até 1 de novembro.